O presidente uruguaio Tabaré Vázquez defendeu em São Paulo a possibilidade de negociar acordos fora do bloco.

Perante mas de 350 poderosos empresários de Brasil, no hotel Grand Hyatt de São Paulo, o presidente Vázquez disse que não menospreza o Mercosul, porem reflexionou que não pode ser uma “jaula de ouro”, pelo que advertiu que a procura de acordos bilaterais não prejudica ao bloco.

Vázquez dissertou num almoço organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e dentre outras autoridades participaram o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito eleito João Doria.
Dos demais palestrantes, Vázquez só recebeu elogios. O governador de São Paulo disse que para ele, o mandatário foi uma “inspiração”. Enquanto que, o presidente da Lobraus, empresa americana de logística que opera em Montevidéu, Renato Ferreira, mostrou a Uruguai como “um país livre de corrupção”. “Em Uruguai as coisas são simples e transparentes. No a surpresas”, disse.

Vázquez começou dizendo que não queria arruinar o almoço com um discurso longo e tedioso, porem isso não foi desculpa para una oratória breve. Falou mais de 50 minutos, invitou aos empresários brasileiros a morar em Uruguai e a investir destacando a estabilidade em termos de instituições democráticas e de funcionamento político.

Destacou as isenções tributarias previstas na lei de investimentos, os regimes de portos livres e a possibilidade de assinar contratos de participação público privada.
“A equação que temos e crescimento econômico com justiça social. Repartir enquanto crescemos com políticas sociais serias, não com populismo”, esta foi uma de suas frases mais aplaudidas.

A maior parte do seu discurso foi orientado ao Mercosul e a um sincero respeito ao funcionamento do bloco. Ao mesmo tempo que disse não “menosprezar” ou renunciar ao Mercosul, afirmou que “a realidade e esta e de nada serve iludi-la ou disfarça-la (…) A realidade do Mercosul indica que para integrar-se e necessário o compromisso de todos e a vontade de vários para superar as assimetrias”, enfatizou.
“Concebemos o Mercosul como uma formidável plataforma porque neste mundo globalizado temos que nos unir, pero não que isso termine sendo uma jaula de ouro desde onde observar o passo do tempo”, enfatizou.

Vázquez disse que países pequenos como Uruguai e Paraguai não podem fazer um processo de integração fechado, porem “devem poder avançar em tratados bilaterais”. Ao que agregou que “este pensamento não prejudica ao Mercosul”.
Consultado sobre se a assinatura de um possível Tratado de Livre Comercio (TLC) com China se fará com ou sem o bloco, Vázquez indicou que Uruguai “prefere leva-lo adiante com todos os países (…) Iniciamos uma etapa de investigação para ver se podemos avançar, se for com todo o Mercosul estupendo. Se não seguiremos adiante”, sublinhou.